Pedras preciosas : um mercado próspero

À semelhança do mercado dos metais preciosos, o comércio de pedras preciosas tem conhecido um crescimento crescente desde o surgimento das primeiras civilizações. Em 2010, 3,7 bilhões de US$ de pedras coloridas foram negociadas no mundo, o que representa o dobro das exportações registadas em 2000. Entre essas trocas, as pedras coloridas lapidadas consideradas « preciosas », ou seja, safiras, rubis e esmeraldas, representam por si só quase metade, e aumentam ligeiramente no mercado. Por outro lado, as exportações de pedras em bruto diminuíram ligeiramente nos últimos dez anos e representam apenas 10% do valor total das exportações realizadas.

O Brasil em destaque na cena do mercado mundial de pedras preciosas

emeraude

O ator brasileiro é, de facto, um país extrator, tendo em conta a quantidade de pedras exportadas. Na sua maior parte, as pedras preciosas ditas pedras ornamentais usadas na joalheria, a prataria e a ourivesaria provêm das terras brasileiras, que são reconhecidas pelas suas riquezas minerais. Além disso, o Brasil apresenta-se como o primeiro país exportador de pedras preciosas a nível mundial, pois outros países como o Japão e o Canadá foram progressivamente desaparecendo da cena internacional.

Há algum tempo, o surgimento de novos atores representa uma fonte de concorrência adicional para as atividades extractivas brasileiras. Esses depósitos situam-se principalmente na África Oriental, onde as pedras são vendidas a preços bem mais baixos.

Por sua vez, o antigo centro de extração da safira que é Madagáscar sofreu uma ligeira contração do montante total das suas exportações oficiais, cujo principal parceiro é a China. Além disso, esta última é o parceiro privilegiado de muitos países extratores e o segundo parceiro do Brasil.

A Índia, ou a oficina mundial de transformação das pedras coloridas

Color&eacute

A transformação cabe à Índia, considerada a oficina de transformação do mundo à frente da China. Em 2010, a Índia transformou mais de 100 milhões de US$ em pedras brutas lapidadas, seguida pela China com 57 milhões de US$. Para além de ser um ator antigo no comércio de diamantes, a Índia é também o centro mundial de lapidação de diamantes. Já a China é um ator relativamente recente no comércio de gemas.

Além disso, estes dois países adotam estratégias de abastecimento muito diferentes. Isso explica-se nomeadamente pelo facto de a Índia e a China serem também os dois maiores consumidores de ouro, em particular de joias de ouro. Possuir ouro é, de facto, um sinal de riqueza na cultura destes dois países asiáticos.

Embora a cadeia de transformação seja dominada por estes dois países, muitos outros países estão envolvidos nas atividades de transformação, a saber: o Sri Lanka, que além disso possui uma mão de obra bem formada e barata; a Colômbia, que extrai grande parte das esmeraldas mundiais de excelente qualidade; e também o Brasil. A Áustria e Israel não ficam atrás, estando envolvidos em larga escala no comércio de diamantes. Como país europeu, há a Alemanha, que conseguiu impor-se neste tipo de atividade.

Os grandes consumidores de gemas

PIERRES-PRECIEUSES-

Referindo-nos ao mapeamento das trocas, a maioria dos países extratores situa-se no hemisfério sul, enquanto os países consumidores estão essencialmente localizados no hemisfério oposto. Entre os principais consumidores de pedras preciosas citam-se os Estados Unidos, a Europa, a China e o Japão, mas, no conjunto, a cadeia é dominada pelos países ricos do hemisfério norte. Enquanto os mercados estadunidenses e europeus se estabilizaram, os atores asiáticos emergiram na cadeia.

A propósito, Hong-Kong é susceptível de destronar em breve os EUA com o gigante consumidor chinês de pedras Wong, Cheung & Lau, 1999. Além disso, a feira internacional de Hong-Kong está prestes a concorrer com a de Tucson, nos Estados Unidos, que é contudo considerada a mais importante há décadas. O comércio de pedras coloridas observa-se sobretudo nos centros de consumo e turísticos.

No México, assim como nos Estados Unidos, os consumidores são principalmente os visitantes e não as populações locais, à imagem de lugares como Orlando ou Las Vegas. Assistimos de facto à reestruturação do mercado mundial de pedras coloridas, mesmo que por alguns aspectos este comércio assuma uma forma multipolar.

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.